Já troquei novela por Internet. Datena por Two and a Half Men. Faustão por Natgeo. Big Brother por History Channel. Jornal Nacional por Mike & Molly. Alguns jogos de futebol por Castle. Filme “mais do mesmo” por livro. Valeu a pena. Está valendo. O grande desafio agora é trocar Brahma-Skol-Antarctica-Bohemia-Itaipava por Baden Baden, Colorado Indica, Guinnes, Eisenbahn e uma infinidade de cervejas artesanais ou importadas.
Nos acostumamos ao sem gosto da cerveja comum. É como olhar na TV e ver sempre o mesmo papel do Tony Ramos. A mesma dicção do Benício. A mesma pessoa muito humana que o Faustão convida ao palco. O gelado mascara a falta de gosto. A beleza supérflua e a falta de conteúdo imobilizam nossas reais necessidades, sentado ou não no sofá.
Dizem que a gente come muito lixo. Carne sem a qualidade adequada, com maquiagem para ficar atraente. Que o peixe bom mesmo, como o Meca, é para exportação. Que há muito veneno de agrotóxicos nas frutas, verduras e legumes, vendidos como se tivessem um conteúdo verdadeiro. Que o café que tomamos é bem ruim, em comparação com o que entregamos de bandeja e xícara para fora. Eu dormia com esse barulho. Então descobri algo estarrecedor: a cerveja popular também é um desses lixos. Aí foi demais pra mim.
Rogério Cezar de Cerqueira Leite, físico de 79 anos da Unicamp, entregou o ouro. Ou melhor, o malte. Ele prova que nossas cervejarias usam, na verdade, é milho, ao invés de cevada. E lúpulo de qualidade bem sofrível, que exige a adição de antioxidantes e estabilizantes. Entrega também que a “fusão” de Brahma e Antarctica (70% do mercado), que teve como argumento competir com as estrangeiras, revelou a real intenção quando houve a absorção por uma multinacional. É o cartel da falta de gosto. Uma camuflagem insípida.
A tarefa de zapear este lixo é mais árdua, pois os preços e o acesso fácil nos convidam, nos seduzem. Vou ter que comprar a TV a cabo da cerveja importada ou artesanal. Já estou tentando. A variedade de canais é infinita. A qualidade também. Sei que valerá a pena, mas reitero, será difícil. A combinação preço baixo com falta de gosto me condicionou, há muito tempo, a deixar no mesmo canal.
Pois é meu brother... Outro dia eu comprei uma latinha de cerveja na rede de mercados "Dia" e paguei R$ 0,78 a lata da cerveja Rio Claro. Comprei logo o pacote. Óbvio que comprei também algumas latas de marcas "conhecidas e reconhecidas internacionalmente". Para meu espanto, e estando as latinhas estupidamente geladas, peguei maior simpatia pelo gosto da cerveja Rio Claro. Estamos pagando caro pelo rótulo com as cervejas mais conhecidas e acabamos tomando suco de cevada kriptoniana com fel e óleo de tartaruga (muito bom para quem tem bronquite, asma brônquica e criança catarrenta). O problema de qualidade pode ser muito bem resolvido com um pouco de curiosidade e coragem. Concordo com seu ponto de vista de pelo menos tentar mudar. É preciso curiosidade (e sede) para mudar a sua cerveja, mas tem que ter coragem de pegar o controle da TV e pelo menos ir mudando a programação televisiva com um simples gesto. É preciso saber escolher o que assistir, e quando assistir. Aconselho aos navegantes deste Blog Ma Ma (Maluco e Maravilhoso) que tenham coragem de preterir a TV e ler um livro, ou assistir um filme ou então, dormir. E, para os que tomam café em abundância, sugiro tomar o café à vácuo 03 corações. Saboroso e revigorante. Palavra de cafeseiro...
ResponderExcluirÉ como nos domingos... o negocio é continuar com o Silvio Santos das brejas... e aos poucos ir tomando um Marcelo Adnet de trigo
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